Descrição

1815 - Porto Vintage de 1815 Waterloo ou do Duque de Wellington de D. Antónia Ferreira.
Extremamente rara garrafa do mais celebre Vinho do Porto, considerado o primeiro verdadeiro Vintage. A título de curiosidade, à época os termos utilizados eram "Vinho Tinto" e "Novidade" e não "Vinho do Porto" e "Vintage". Aliás, aqui se nota a posterior influência Inglesa.

A presente garrafa, foi recentemente tratada nas Caves Ferreira, tendo sido mandada executar rolha à medida, e colocado selo de garantia com o nº UY 736760 05". De notar que foi possível manter a garrafa de vidro de origem, bem como o seu rótulo e contra-rótulo.

E Vintage, o que é?
Palavra de origem inglesa, surgiu na Língua Portuguesa como substantivo e como adjectivo. Como substantivo, é masculino e significa um ano de boa colheita vinícola. Como adjectivo, qualifica um vinho fino de uma só colheita, produzido em ano de reconhecida qualidade, com características organolépticas excepcionais, retinto e encorpado, de aroma e paladar muito finos.

O Vintage de 1815, que na memória do vinho do Porto é conhecido como;
- Vintage Waterloo em referência à batalha com o mesmo nome que pôs termo à hegemonia de Napoleão na Europa,
- Vintage do Duque de Wellington,
é um dos mais antigos vinhos do Porto pensados para evoluir em garrafa o que nessa época era ainda uma novidade.

Criado quando Dona Antónia Adelaide Ferreira tinha quatro anos de idade, numa época em que o rei D. João VI continuava no Brasil, não se sabe em que quintas foi produzido, embora Luís Sottomayor, o enólogo-chefe da Ferreira suspeite que o foi nas vinhas do Baixo Corgo, onde os teores de acidez natural e de estrutura de taninos produzem vinhos com especial aptidão para a longevidade.
Pelo "músculo" que contem deve ter exigido longas pisas a pé em lagares.

Nas últimas provas que se fez com este vinho, este Porto mais do que bicentenário apresentava um balanço admirável, harmonia e profundidade de boca.

Para se ter uma noção da raridade do 1815 convém notar que o sistema de armazenamento do vinho em garrafa começou a ser desenvolvido apenas no final do século XVIII. Ainda em 1809, estando a Guerra Peninsular ao rubro, com as invasões francesas a serem repelidas por levantamentos locais em Portugal e em Espanha e com tropas britânicas desembarcando e estanciando em território ibérico, Arthur Wellesley, montou quartel-general em Torres Vedras. Entre repousos de planos de estratégia, George Sandeman afirmaria ser de 1790 o melhor Porto que bebera. Seria, muito provavelmente, derrotado uns anos mais tarde pelo novo néctar, o de 1815, que acabaria lembrando o nome do grande general, pela sua passagem por Portugal e pela vitória conseguida em Waterloo.

Neste contexto, o Ferreira de 1815 é um pioneiro desse novo mundo dos vinhos produzidos para crescer na garrafa. Durante o século XIX, as datas das grandes colheitas foram associadas a eventos históricos. O 1815 é Vintage Waterloo, o 1887 o Vintage Queen Victoria Jubilee (comemorativo dos 50 anos do reinado da rainha Vitória), por exemplo. Uma associação que torna este 1815 numa raridade ainda mais desejada pelos especialistas.



Incluindo esta garrafa, conhecem-se 52 exemplares, 49 dos quais nas caves da Ferreira em Gaia. Fernando Guedes, porém, avisa que destas mais nenhuma será vendida ou leiloada na presente geração.

Notação do Instituto do Vinho do Porto, ano 1815:
"Waterloo Port" um dos grandes Vintages do séc. XIX. Vintage-sensação nas grandes Exposições Internacionais da segunta metade de Oitocentos, ainda era comercializado nos anos trinta do nosso século".


Deste vinho restam memórias na literatura, servindo as delícias de imortais personagens de Eça de Queiroz.

"Não era vinho que o cónego Dias servisse todos os dias, ainda que afamada a sua garrafa. Serviu para brindar Pio IX, prisioneiro no Vaticano, enquanto o abade Cortegaça repoltreava-se nas velhas cadeiras de couro […] com os olhos chorosos de satisfação".

Na realidade, para Eça, este Vintage de 1815 parecia ser bebida de fim de jantar. Também acompanhou a sobremesa de João da Ega, pouco antes de um jogo de bacará e de uma passagem pelo palacete dos Maias.

Já para Zagalo, antigo secretário do Conde de Abranhos, o 1815 do titular seu antigo patrão servia de remédio. Conforme relembrava à condessa, "era com dois cálices que o marido ia recompondo o seu criado, sinal da generosidade larga e fidalga"
.
Terminando como Horácio

Nunc est bibendum = Agora é hora de beber.

Créditos e agradecimentos:

Sr. Dr. Manuel Novais Cabral, Presidente do Instituto dos Vinhos do Douro e do Porto.
Sr. Engº Luiz Sottomayor, que dirige a equipa de Enologia da Casa Ferreirinha e de todas as marcas de Vinho do Porto da Sogrape Vinhos.
Sr. Dr. Manuel de Sampayo Pimentel Azevedo Graça, historiador.
Sr. Manuel Carvalho, jornalista.

1815 - Porto Vintage de 1815 Waterloo ou do Duque de Wellington de D. Antónia Ferreira

   
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Ref: 2018.12447

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